O que pode ter provocado acidente da TAM

Publicado: 02/08/2007 em Sem categoria
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A divulgação nesta quarta-feira (1) do conteúdo das caixas-pretas do Airbus da Tam que explodiu em Congonhas aponta algumas hipóteses do que pode ter causado o maior acidente da história da aviação brasileira. Especialistas em aviação, no entanto, afirmam que é preciso cuidado antes de fechar qualquer conclusão.

as duas caixas-pretas, a que contém conversas entre os pilotos e a torre mostra a tentativa desesperada do piloto de fazer o avião parar. A outra registra que os manetes (alavancas de aceleração) do avião estariam em posição errada na hora do pouso.

Especialistas em aviação ouvidos pelo “Jornal Nacional” apontam as possíveis hipóteses para o que pode ter provocado a tragédia, de falha dos pilotos a possíveis defeitos de fabricação da aeronave.

 Falha humana

A transcrição dos diálogos na cabine do avião apontam trechos que, para alguns especialistas, reforçam a hipótese de falha dos pilotos. A principal delas, a de que os dois manetes, alavancas de aceleração do avião, estavam em posições contrárias. A da direita, acelerando, e a da esquerda em reverso, ajudando a frear.

“O piloto teria que atuar com muito cuidado na utilização desses reversos porque há uma diferença de potência muito grande e, numa pista escorregadia, isso é grave”, diz o especialista em aviação Adyr da Silva.

Segundo o documento da Aeronáutica, o computador indica a redução da atitude de 300 para 200 pés e depois para 20 pés. E alerta: “Retardar! Retardar!”

O especialista explica que o aviso de retardar é dado por um sistema automático do computador de bordo quando o Airbus baixa de 70 pés para indicar que o piloto deve desacelerar.

“Significa que ele está com velocidade acima daquela que o computador de bordo considera ideal para pousar”.

Um dos maiores investigadores em aviação do mundo, o francês Raymond Auffray, ao ver dados das caixas-pretas do Airbus da TAM, disse que a possibilidade de o avião, ao receber um comando manual, tomasse outra atitude, é muito remota: uma em um bilhão.

Uma das hipóteses apontadas pelo especialista é de decisão do piloto. “Se o spoiler não funcionou numa pista escorregadia, o piloto teria que arremeter e procurar outro aeroporto com pista longa para pousar. Mas a investigação pode esclarecer porque ele não fez isso”, afirma Auffray.

 Falha do avião

Os manetes de posição “idle” de marcha lenta, são indispensáveis para um pouso seguro. Se o primeiro aviso não for seguido, outro, mais forte e visual é acionado. O Airbus não tinha o dispositivo que dava esse último aviso.

A TAM diz que não implantou o sistema porque o manual do Airbus divide os equipamentos em quatro categorias: “obrigatório”, “recomendável”, “desejável” e “opcional”. O último alerta é classificado apenas como “desejável”.

Um dos manetes estava fora da posição “idle”, de ponto morto, o que desarmou os freios aerodinâmicos.

Comandante de Airbus, Jorge Peres Tamaio, presidente da associação de pilotos argentinos, diz que é imprudente especular sobre as causas do acidente com o que foi divulgado até agora. Mas acrescenta que levar um manete totalmente para frente e outra para trás é “muito improvável”.

Para Raymond Auffray, o manual da Airbus diz que o reverso em até dez dias, mas a companhia deve rever esses parâmetros de acordo com as condições em que opera. Se são pistas curtas, “o único vôo que deveria ter sido feito era do local onde foi detectado o problema para a base operacional onde seria feito o reparo”.

 Falha de fabricação

Para o brigadeiro Jorge Kersul Filho, do Cenipa, não é impossível que o computador do avião tenha registrado uma posição errada dos manetes do avião.

A revisão da lista mínima de equipamentos feita pela Airbus em janeiro desse ano indica o procedimento que o piloto deve ter ao pousar sem um dos reversores. Antes de tocar o solo, colocar as duas na posição “idle”. Ao tocar o solo, puxar as duas para trás, na posição reversor.

Isso faz com que as turbinas ganhem força e os reversores se abram, invertendo o fluxo de ar e ajudando a diminuir a velocidade do avião. Só que o avião estava com o reversor direito travado, o que é permitido pelo fabricante.

Quando isso acontece, o computador Fadec (Full Automatical Digital Eletronic Computer) neutraliza a ação do manete direito e mantém a velocidade da turbina em marcha lenta.

Pilotos de Airbus acreditam que uma pane no computador pode ter feito o motor direito acelerar e, com isso, os spoilers, que fazem parte do sistema de freio, não se abriram.
Para o especialista em segurança aérea Jorge Barros, os diálogos mostram que os pilotos se depararam com uma pane inesperada no avião. “Pode ter sido eventualmente uma falha de projeto do avião”, disse.

 Investigação

Membros do Cenipa investigam ainda se houve falhas no avião, por defeito ou problemas de fabricação. TAM e Airbus não quiseram se manifestar sobre as informações divulgadas pela CPI da crise aérea.

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