Rádio digital: a decisão brasileira

Publicado: 05/08/2007 em Tecnologia
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Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7421,00.html

Será que estamos correndo o risco de escolher uma tecnologia proprietária para usar como padrão nacional de rádio digital?

Paira sobre Brasília mais uma decisão fundamental para o futuro da vida digital no Brasil: qual padrão digital adotar para as estações de rádio do futuro? Rolou uma ameaça de que o padrão seria decidido de sopetão na última quarta feira. Não foi. Ainda bem. Porque levamos anos debatendo o padrão de TV digital, processo que passou de um governo para outro, face aos apelos da sociedade por mais debate, esclarecimentos e transparência.

No caso de rádio digital, parece estar faltando uma conversa mais ampla, nacional, aqui fora, pra muito mais gente participar da decisão e compartilhar dos erros e acertos que inevitavelmente se comete nestes casos. Não vi nenhum documento resumindo a discussão, muito menos notícia de que uma decisão de tão grande importância para o futuro da convergência digital no Brasil vá entrar em debate através de audiências públicas, nacionais.

Como foi o caso da TV digital, que contou com ampla participação da sociedade e, mais especificamente, da indústria e academia. Muito menos tenho notícias de documentos nacionais como este aqui, australiano, e este outro, europeu, que nos façam entender um pouco mais do processo ou da decisão.

Rádio digital é um mercado gigantesco e o impacto do padrão escolhido pode ser tão grande quanto o de TV digital. Será que não deveria, portanto, estar sendo discutido de forma mais transparente? Será que é a ressaca do debate ao redor do padrão de TV digital? Será que é por isso que não organizamos uma ampla consulta pública como a França fez?

Falando nisso, e por alto, porque não há detalhes do processo, porque é que estamos escolhendo (pelo que parece) IBOC, americano, ao invés de DAB+, que faz uso de parte do padrão MPEG4 que já escolhemos para a TV digital aqui? Aliás, a codificação de áudio AAC+ (de MPEG4) é uma evolução (aberta) do que se usa em iTunes/Pods, sucesso mundial sob qualquer aspecto… Ainda mais, um passarinho me soprou que estamos indo (se é que estamos mesmo…) para IBOC AM, que as avaliações mundo afora dizem ser inferior a IBOC FM… Por que, mesmo?

Independentemente de detalhes que diferenciam IBOC AM e FM, será mesmo que o país vai cair de novo na armadilha (como nos celulares CDMA…) de escolher um padrão de rádio que é proprietário de uma empresa, que cobra royalties por estação?… No que faz, aliás, muito bem: é o modelo de negócios dela. O problema é nós ficarmos dependentes disso. O que deveria me levar a concluir que, se a direção for esta, o país não aprende nunca. Além do mais porque o mundo parece estar escolhendo DAB+.

Rádio digital é parte essencial da discussão e da plataforma de convergência digital. Rádio digital não é áudio. Pode ser imagens, mapas, jogos, software. Rádio digital é digital, não é rádio. Rádio digital é software.

Rádio digital é uma imensa janela de oportunidade, que deveríamos aproveitar para fazer o que não fizemos no caso de TV digital: escolher um padrão com chances de ser verdadeiramente mundial e usá-lo sem modificação alguma aqui, exigindo como contrapartida nossa participação no desenvolvimento e propriedade intelectual de sua próxima versão. Isso sim é negócio. Do tamanho do Brasil. E ainda há tempo. A alternativa é continuar andando pra trás, mesmo que aparentando seguir em frente.

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